Avó e mãe ao mesmo tempo

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Conheça a história de Rosana Honório, que cria a neta desde os 6 meses de vida

Por Maria Clara Vieira –

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Rosana Gimenez Honório e a neta que criou como filha, Isadora (Foto: Cortesia Rosana Gimenez)

“Quando eu tinha 27 anos, minha amiga jogou cartas para mim e disse que eu estava grávida de outro menino, meu segundo filho. Mas ela me avisou que eu ainda teria uma filha, mas que ela viria ‘pelo papel’, uma filha de coração. Sempre pensei que essa menina seria um dia abandonada à minha porta, mas nunca aconteceu. Os anos passaram e aquilo ficou dentro de mim. Até que, quando eu estava com 43 anos, entendi tudo.

O meu filho mais velho teve um caso de amor avassalador, mas que não durou. A moça engravidou e, no dia do meu aniversário, nasceu Isadora, minha neta, a bebê mais linda do mundo. Meu filho e minha nora chegaram a montar apartamento para viver juntos e criar Isadora, mas eles eram muito jovens, estudantes, e não deu certo. Em poucos meses se separaram e me pediram para criar a bebê.

Eu aceitei e a levei para morar em minha casa. Assumi toda a sua criação desde o 6° mês de vida, enquanto os pais biológicos continuavam suas vidas e os estudos. Na primeira noite na minha casa, Isadora chorava de um lado e eu de outro. Eu não tinha mais costume de cuidar de bebê. Foi como pegar um teste de gravidez positivo sem estar esperando, mas depois ficou instintivo. O meu filho caçula estava na faculdade e eu estava me preparando para ser vovó. Quando Isadora chegou, eu tive que aprender a ser mãe de novo.

Fui eu que dei vacinas, paguei convênio médico, dei a primeira papinha, vi os primeiros dentinhos e passinhos, ouvi as primeiras palavras, levei no primeiro dia de aula. O meu filho, pai da Isadora, não foi presente. Eles têm carinho e afeição um pelo outro, mas é como se fosse uma irmãzinha caçula. Ele não tem o cuidado de pai. Toda a responsabilidade ficou comigo. Então pedi a guarda, para facilitar as burocracias do dia a dia, como levar ao médico, fazer viagens e matricular na escola.

Eu expliquei desde o início para Isadora que ela era minha neta, mas ela sempre me chamou de mãe. Quando ela completou 4 anos, eu me separei de meu marido, após 28 anos de casamento. E continuei cuidando da criança sozinha. Agora ela já tem 9 anos e nós temos um ótimo relacionamento. Somo parceiras, amigas, adoramos viajar juntas. A Isadora só me deu gás, desde o início. Até voltei a estudar.

Ela é muito consciente da situação e sabe que a mãe biológica vive em outra cidade com mais três filhos, seus meios-irmãos. Ela os encontra em feriados ou datas comemorativas, assim como o pai. Isadora começou a notar que a família dela era diferente quando ingressou na escola.

Ela teve uma fase de questionamento, e eu fui explicando que esse tipo de coisa acontece, que a mãe e o pai dela eram muito jovens e que precisavam continuar os estudos quando ela nasceu. Busquei ajuda profissional e ela fez terapia para que não se sentisse rejeitada. Hoje ela diz tem duas mães.

Claro que sempre tem pessoas que nos enchem de perguntas, como ‘porque ela te chama de mãe?’ ou ‘cadê o pai dela?’. Entendo que gere curiosidade quando saímos dos estereótipos”.

Depoimento de Rosana Gimenez Honório, 53 anos, estudante de assistência social.

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Duas mães e muito amor

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