A Esperança Sempre Presente

A Esperança Sempre Presente

O movimento Mães da Sé foi fundado há mais de 20 anos e, hoje, a oficialmente Associação Brasileira de Busca e Defesa a Crianças Desaparecidas (ABCD) é uma importante organização na busca de pessoas desaparecidas. O trabalho realizado ajuda familiares a encontrarem filhos, pais, mães e irmãos desaparecidos, bem como oferece suporte psicológico e psiquiátrico a essas pessoas.

Toda essa luta começou justamente com desaparecimentos dos filhos de Ivanise Esperidião da Silva e Vera Lúcia Gonçalves. Juntas, elas criaram o movimento Mães da Sé e encontraram forças para seguir nessa busca incansável. Confira abaixo o depoimento de Ivanise:

Minha Luta começou em 23 de dezembro de 1995, quando minha filha Fabiana Esperidião da Silva saiu de casa para visitar uma colega que fazia aniversário e, na volta, desapareceu cerca de 120 metros de distância de nossa casa.

Durante três meses fiz uma busca solitária, pois 21 anos atrás o desaparecimento de pessoas era um problema totalmente invisível: ninguém tinha conhecimento desse fato, nem os veículos de comunicação falavam sobre esse tema. Ele só veio à tona com a exibição de depoimentos de mães na novela Explode Coração, dos quais eu participei. Com a minha participação na novela, conheci um grupo de mães chamado “Mães da Cinelândia” e resolvi fazer a mesma coisa em São Paulo. Foi assim que, em 31 de março de 1996, nasceu o Movimento Mães da Sé.

maes-da-se---marca A proposta inicial era dividir e compartilhar minha dor com outras mães que, assim como eu, procuravam por seus filhos, ampliando o atendimento às demais pessoas em busca de seus pais, mães e irmãos, transformando minha dor numa luta diária, não só pela minha filha, mas para ajudar essas famílias. Acabei adotando-as e assim formamos uma família numerosa, irmanadas pelo mesmo sofrimento e pelo mesmo objetivo que é o de encontrar nossos entes queridos, e pela esperança que nos mantém vivos.

Aprendi a sobreviver com uma dor que não tem remédio que cure, com esse luto inacabado, um silêncio profundo, uma pergunta para a qual até hoje não tive resposta. Há 21 anos minha vida virou uma interrogação e estou convivendo com a dor da incerteza, que é mil vezes pior que a morte. Mas como mãe não posso desistir jamais da busca da joia mais preciosa que DEUS me deu. Tenho travado uma longa e triste batalha com a vida, mas aprendi que “não existe causa perdida, pois a única causa perdida é aquela que você abandona”.

Ainda não encontrei minha filha, mas ao longo desses 21 anos de luta temos um total de 4.528 casos resolvidos, e a cada pessoa localizada através desse trabalho, vejo a minha filha. Se minha filha teve que desaparecer para que eu viesse a ajudar outras pessoas, a única coisa que peço a DEUS todos os dias é que Ele me dê forças e paciência para esperar pela sua volta.

Ao longo desses 21 anos, aprendi que é enfrentando as dificuldades que me fortaleço. É superando meus limites que cresço como pessoa. É tentando resolver os problemas que amadureço. É desafiando o perigo que encontro coragem para enfrentá-lo e descubro o quanto cresço quando exigem de mim mais do que as minhas próprias forças, além dos meus limites. Aprendi a valorizar cada minuto que a vida me dá, pois ela é única, sendo boa ou ruim, jamais haverá outra igual. Por isso nunca penso naquilo que acabou, mas sim naquilo que valeu a pena enquanto durou.

Lembrar os 21 anos do Movimento Mães da Sé é acima de tudo um ato de continuidade da busca por justiça, dignidade e verdade. A NOSSA LUTA, não se perdeu no caminho, tampouco é em vão. De tudo fica um pouco, que será suficiente para tecer o fio da memória que serve para alimentar a luta por justiça. É tempo de lembrar e fazer da lembrança dos nossos filhos o combustível para a luta que continua até encontrarmos uma resposta.

A dor integra a natureza de nosso trabalho. É em meio a nossa dor e sofrimento que buscamos e recolhemos a solidariedade e o alento recebido de parceiros do nosso trabalho, que não só aliviam nossa caminhada, como ampliam nossas vitórias e impõe-nos o compromisso de com eles nos congratularmos ainda perguntando:

Para onde estão indo nossos Filhos?

Mantendo acesa a chama da esperança de um reencontro único, mesmo sem saber o dia e a hora que ele possa acontecer!!!

Ivanise Esperidião da Silva Santos
Presidente

fabiana

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