Gravidez na Adolescência

Gravidez na Adolescência

 

pregnant-2720433_1920A gravidez na adolescência é tão presente hoje em dia que já virou uma questão de saúde pública. Se antes isso era algo inimaginável para muitas jovens, hoje todos nós conhecemos alguém que passou por isso – ou a história aconteceu com nós mesmos.

Para tratar desse assunto delicado, conversamos com Luciana de Moreschi, psicóloga, sexóloga, educadora e terapeuta sexual.

Logo no início da nossa conversa, Luciana chama a atenção para um ponto importante: se engravidou, é porque transou sem camisinha. E nesse caso, o filho é uma bênção mesmo, já que poderia ser outra coisa: sífilis, herpes, gonorreia, AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs).

Nos últimos anos, o número de casos de DSTs diagnosticadas vem aumentando descontroladamente. Só no estado de São Paulo, em 6 anos, o aumento de é 603% para casos de sífilis. (Fonte: https://saude.abril.com.br/bem-estar/numero-de-infeccoes-sexualmente-transmissiveis-nao-para-de-crescer/)

São muitas as razões para esse descontrole e uma delas é a tendência de aproveitar o hoje, se esquecendo do futuro. Além disso, o ser humano sofre a síndrome do super-homem: “Isso nunca vai acontecer comigo”. Mas, infelizmente, acontece!

Para a psicóloga, a gravidez na adolescência também está relacionada à autoestima das jovens. Elas têm dificuldade de dizer “não, não vou fazer sexo sem camisinha”. Mas a sociedade em que vivemos não permite esse tipo de erro.

Se engana quem pensa que falta informação. Ela está aí, na palma de nossas mãos, nos celulares conectados à internet. Não falta informação, mas formação. Pais precisam conversar com seus filhos, tirar o sexo do rol de assuntos proibidos.

Muitas vezes preferimos não falar sobre o assunto por ser algo constrangedor e acabamos delegando essa tarefa. Se não ensinamos a nossos filhos, outras pessoas estarão dispostas a ensinar – e nem sempre da mesma forma que queremos, com os valores que desejamos. Muitas vezes isso será feito de um jeito torto, influenciando e manipulando.

pregnant-2640994_1920Por isso, precisamos nos despir dos nossos preconceitos e falar com nossos filhos sobre sexo e sexualidade. Luciana nos aconselha a fazer isso com ganchos em todas as oportunidades possíveis: assistindo a um filme ou a uma novela com cenas fortes, por exemplo, ou ao vermos um casal se beijando na rua.

Mais do que isso, precisamos escutar nossos filhos, entender o que eles pensam sobre certas atitudes, questionar o que gostariam de saber sobre o assunto.

Claro que tudo isso deve ser feito respeitando a idade da criança ou do jovem. Mas lembrando também que a sexualidade está presente na criança de uma forma diferente do que no adulto.

A criança e o jovem têm curiosidade para saber como é o seu corpo. Eles querem se conhecer e se descobrir. Isso faz parte do desenvolvimento natural de nossos filhos e, se não esclarecemos essas duvidas, se não permitimos esse desenvolvimento, eles vão procurar informação em outros locais como a internet – e verão coisas muito piores do que gostaríamos.

Engana-se quem pensa que informar acaba estimulando pensamentos e atitudes precoces. Estimular é algo diferente – estimular é ensinar a criança a dançar músicas sensuais ou brincar que a criança está namorando, por exemplo.

Informar é diferente, é ensinar. E a criança bem informada sabe inclusive se defender melhor. Ela sabe, por exemplo, que outra pessoa não deve encostar em suas partes íntimas.

pregnant-2635034_1920

Se já é tarde para ensinar e a gravidez já aconteceu, o primeiro passo é a responsabilização. A jovem precisa entender que tudo vai mudar em sua vida, porque o filho traz consigo uma grande responsabilidade. Tirar totalmente o peso da gravidez de cima da adolescente pode acabar incitando a repetição do comportamento.  Nossas atitudes nesse momento precisam ser pensadas cuidadosamente, buscando sempre ajudar a jovem a pensar em seus comportamentos futuros.

Luciana de Moreschi é graduada em Psicologia pela Universidade São Francisco, especializada em Saúde Mental pela mesma universidade e especializada em educação e terapia sexual pelo Centro de Estudos Hospital Pérola Byington. Atualmente trabalha com atendimento clínico individual e de casais e palestras sobre sexualidade e educação sexual, além de compartilhar suas dicas na página Sexologar.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Fale comigo...

Seu e-mail foi enviado com sucesso.

© Copyright 2016.

Todos os direitos reservados.