Revoltante!

Revoltante!

 

WhatsApp Image 2017-08-04 at 07.44.52Histórias de crianças e jovens que desaparecem são sempre tristes para quem lê, mais ainda para os familiares que passam por essa situação que os marcará para o resto de suas vidas. Mas esta história é particularmente revoltante, com testemunhas visuais, suspeito preso e reconhecido pelas testemunhas, e um inquérito fechado sem sequer ouvir os envolvidos.

Conheça a história da Luciane Torres da Silva, que desapareceu aos nove anos no Rio de Janeiro:

 

Meu nome é Luciene P. Torres, tenho 55 anos, moro em Campo Grande, no Rio de Janeiro. No dia 30 de agosto de 2009, um domingo pela manhã, acordamos eu, Raquel – minha filha mais velha – e Luciane que, por sinal, só acordou porque o meu netinho puxou seus cabelos. Ela estava radiante por ser tia!

Era exatamente 08h30 quando falei que ia comprar pão. Ela disse que ia no meu lugar e, como eu estava cansada porque trabalhava de plantão, deixei – inclusive porque onde moramos é um lugar aparentemente tranquilo. Raquel estava amamentando meu neto; Luciane tomou banho, colocou shorts, blusa e chinelos rosa. Me lembro que ainda brinquei com ela dizendo: Você está parecendo um Chambinho (iogurte).

Cerca de 20 minutos depois achei que ela estava demorando, já que a padaria era bem próxima da nossa casa. Raquel se ofereceu pra ir atrás dela de bicicleta e, minutos depois, voltou me informando que não estava encontrando a irmã. Na hora pensei que ela podia estar na casa da avó, hoje falecida. Liguei para minha irmã que mora duas quadras depois da minha casa, e nada. No mesmo instante falei para a Raquel: “roubaram sua irmã”.

Desespero total. Pedi para que fosse anunciado no bairro e assim foi feito. Para desespero ainda maior, meu vizinho disse ter visto ela sendo levada por um homem de bicicleta vermelha. Houve várias buscas naquele dia, as informações chegavam e, no final, as poucas pessoas que a viram passando com esse homem falam a mesma coisa, que ela chorava quando via alguém e ele secava as lágrimas dela e dizia “papai vai te levar pra casa” e ela respondia “você não é meu pai!”. O último lugar onde a viram com esse homem foi na Serrinha, um bairro próximo da Av. Brasil, em Campo Grande.

O Corpo de Bombeiro vasculhou toda a mata com a ajuda de cães farejadores, eles pegaram roupas e um tênis da escola dela comigo, prova essa que nunca mais vi. No final das buscas, informaram que havia uma grande chance dela estar viva porque nada foi encontrado.

No dia seguinte, um homem passou no mesmo lugar onde ela desapareceu e, pela descrição das testemunhas, um amigo do meu filho chamou a polícia e ele foi preso. Pedi desesperadamente para ele falar o que fez com minha filha e ele dizia que não foi ele. As buscas agora eram para encontrar testemunhas que pudessem afirmar ser aquele homem que a levou.

A família passa a ser de detetives, descobrimos um homem que fazia um serviço para uma fábrica e disse que chegou a correr atrás dele, mas não o alcançou. O delegado Henrique Viana da 56ª D.P. disse que ele não era obrigado a falar. Consegui três testemunhas que confirmaram a mesma história e nesses quase oito anos sem saber nada sobre ela é que descobri que o delegado encerrou o inquérito dizendo que as testemunhas confundiram o acusado com um tal de Jorge Carroceiro. Fui atrás das testemunhas e, para minha surpresa, elas nunca foram chamadas.

WhatsApp Image 2017-08-04 at 07.46.00Assim como a minha, existem várias famílias, umas mais desestruturadas que as outras. Difícil, minha amiga. A gente sobrevive cada dia e de formas diferentes, um dia alegre, outro triste. Fiquei hipertensa, tomo quatro remédios para controlar a pressão, remédio para me ajudar a combater a depressão e remédio para dormir, senão troco o dia pela noite. Temos que ter um jogo de cintura porque tem o marido, dois filhos mais velhos e quatro netinhos que passam a ser fundamentais para nos colocar de pé.

E assim vamos sobrevivendo na esperança de um dia poder abraçar meu bebê de novo. Obrigada a todos que se envolvem nessa causa tão invisível para nossa sociedade e autoridades.

Luciene P. Torres, mãe de Luciane Torres da Silva

*Todas as informações aqui divulgadas são de responsabilidade dos familiares que procuram seus entes. O blog Mãe, Amor Maior utiliza esse canal para prestar um serviço público e não se responsabiliza por qualquer uma das informações aqui presentes.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Fale comigo...

Seu e-mail foi enviado com sucesso.

© Copyright 2016.

Todos os direitos reservados.